segunda-feira, 23 de março de 2015

Caderno de Pintura / Walmir Ayala







Walmir Ayala – poeta, romancista, crítico de arte, dramaturgo, ensaísta – faleceu em 1991, mas novos títulos continuam saindo de sua inesgotável produção.
Esse Caderno de Pintura, editado em 2014 pela Cepe Editora, Pernambuco, recebeu projeto editorial e gráfico (a cargo de Marco Polo Guimarães e Luiz Arrais) e prefácio de Carlos Newton Júnior. O livro reúne poemas inspirados por obras de arte. Neles se unem, portanto, o crítico de arte e o poeta Walmir Ayala. Essa mistura de um poeta e de um crítico, refletindo poeticamente, permitem que vejamos, em versos muitas vezes fulminantes a expressão mais completa de uma concepção ao mesmo tempo de poesia e de artes plásticas. É um exemplo disso o poema inspirado por uma gravura de Fayga Ostrower:

“incêndio numa folha de papel de seda”

Exemplo magistral de síntese, a perfeita união da obra, do crítico e do poeta.
O único senão é que nem todos os poemas são acompanhados pela reprodução das obras que os inspiraram. Mas é compreensível. Reunir tal número de reprodução envolveria dificuldades de várias ordens e de grandes proporções, o que talvez inviabilizasse essa proposta editorial.
As reproduções que constam do livro e os poemas de Walmir são valiosos. Valem a leitura e a releitura.


Para os interessados aí vai o endereço da Cepe: Rua Coelho Leite, 530 – bairro Santo Amaro – 50100-140 – Recife, PE



sexta-feira, 20 de março de 2015

Fastio do Brasil – o pós-15 de março.





Sete dias se foram e não me senti animado a escrever sobre as reações do governo às manifestações do dia 15.
Deve ser cansaço. Fastio, como diziam os mais antigos. Fastio do Brasil.
O Brasil cansa, eis tudo.
A manifestação do dia 15 levou às ruas uma multidão representativa do que vai pela cabeça da maioria (62% da população desaprovam Dilma, que se dependura em 13% de aprovação). Gente que foi sem receber refrigerantes, camisetas, sanduíches. Que não obedece a quaisquer ordens superiores ou laterais. Por certo, como sempre, aqui e ali estavam alguns patetas gritando bobagens, dignas da direita raivosa. São minoria, felizmente. Eles sempre aparecem.
A maior parte, no entanto, era de simples cidadãos brasileiros que, como este cansado cronista, estão com fastio do Brasil. Chega. Já encheu.
E qual a resposta da presidente?
Sugere diálogo. A criatura que menos dialogou desde que assumiu a presidência, mesmo com seus aliados de ocasião, agora fala em diálogo. A mais impaciente das criaturas, pede paciência. A mais prepotente, pede humildade. A que está colocada nas cordas – acossada pelos diversos PTs, pelo Lula, o PMDB, o Renan Calheiros, o Eduardo Cunha, o “general” Stédile – faz cara de mandona. E, por meio de dois prepostos – não ela pessoalmente, como faria um estadista – manda seu recado.
Eis o recado: um projeto de lei anticorrupção e insinuações que visam desqualificar – como em 2013 – o que se passa nas ruas.
Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo fazem jogo de cena. O primeiro alega que aquela multidão era dos que não votaram na presidente. Farsa. Como se aqueles que não votaram na eleita estivessem desqualificados para fazer críticas. Críticas só dos favoráveis. A oposição é apresentada como sendo formada por maus brasileiros, que querem o pior dos mundos, gente burguesa, classe média que se deve odiar etc.
Aliás, entre tantas contradições desse governicho, uma salta aos olhos. Seus seguidores a qualquer pretexto xingam a classe média – justamente a classe à qual pertencem. A classe média que, segundo uma filosofante da USP, merece ódio irrestrito. Ao mesmo tempo, se vangloriam de ter criado uma nova classe média com o bolsa-família. É possível entender? Não. Estamos diante de um poço de contradições.
Cardozo repetiu o argumento ridículo de que não haverá terceiro turno. Não há terceiro turno, é óbvio, mas governantes devem ser pelo menos competentes ou poderão ser defenestrados. Não são imperadores pela vontade de Deus. O poder lhes é dado pelo voto popular e pode ser tirado. Ainda não é o caso, mas é uma possibilidade se o governo se mantiver paralisado.
Já o pacote anticorrupção é um requentado de leis já existentes e serve para desviar a atenção da população. Tenho repetido várias vezes que o Brasil sofre de uma demência legislativa. Para tudo são feitas novas leis. Lembro que leis não fazem a sociedade. A sociedade é que faz as leis.
O governo não pode se esconder atrás de leis. Cabe ao poder executivo administrar, gerenciar, agir, planejar, saber dos problemas, fazer escolhas, tomar decisões. Leis são fáceis de produzir e nelas logo se acharão brechas – aliás, já deixadas em aberto de propósito – para salvar corruptos.
Portanto, reação pífia do governo.
Não há como não sentir fastio. Cansaço. O mesmo cansaço cada vez mais óbvio no rosto, no corpo e nos gestos desconexos da presidente.
E la nave va – o título do genial filme de Fellini serve para retratar o momento brasileiro. Vai para onde a nave desgovernada? Não sabemos. A timoneira não tem a menor ideia, embora se agarre ao timão com fúria.
Os brasileiros precisam ter juízo e refletir com cuidado – o momento é grave e não se presta a fanfarronadas, das quais já estamos bem (ou mal) servidos.




sábado, 14 de março de 2015

Panorama visto da Ilha do Desterro

Fuga para o Egito, Ferdinand Demetz, 1902.





Ontem eu e meu irmão Cid passamos a tarde caminhando pelas ruas centrais de Floripa.
Cadê o Cine Ritz que estava aqui? Não está mais aqui. Nele assisti a estreia – barulhenta e escandalosa na época – de Rock around the clock (quem não estava lá não sabe do que se trata e nem adianta explicar aqui), filme em cujas projeções foram quebradas inúmeras poltronas nos cinemas Brasil afora.
E o Cine São José, no outro lado da quadra? Era a sala elegante, cheirosa, com menininhas em flor disparando sedução. O tempo levou. É agora uma coisa chamada Igreja Livre em Jesus. Ainda guarda o mesmo perfil de fachada, mas está visivelmente decadente.
Fugimos dali como se nos ameaçasse algum buraco negro e vamos em direção da igreja matriz para ver a escultura em madeira da Fuga para o Egito, do austríaco Ferdinand Demetz. Vale a pena. O pé da Virgem e o rosto de são José já justificariam a visita.
O diabo é que há barulheira em frente da igreja. Homens e mulheres vestindo camisetas vermelhas. Uniformes. Aliás, todos uniformes. Uns 350 manifestantes. Comeram o mesmo sanduíche e tomaram o mesmo refrigerante. Uns parecem cansados, outros olham para os lados como se estivessem procurando novidades. Um deles urra ao microfone. Bandeiras são agitadas.
Eu e meu irmão fugimos dali como quem foge de um pesadelo ou para o Egito.
Ele resume:
- É um protesto para defender a Dilma e criticar todas as medidas do governo Dilma.
Ah, agora entendi.
Não o sumiço dos cinemas, não a fuga para o Egito, mas o balanço neurastênico da presidente quando fala – num pezinho, noutro pezinho, pra lá, pra cá – as frases que começam e não terminam, os atropelos com a lógica e a linguagem.
É duro sobreviver no século XXI tendo o século XX diante de nossos olhos.

Vamos ver o que nos aguarda no dia 15, domingo. Em que século estaremos?



domingo, 8 de março de 2015

Ah, as mulheres!







A rotina rolava calma no boteco do cego Tião. As mesmas moscas de sempre reunidas no fio elétrico de onde pende uma lâmpada cansada. O final mortiço de uma tarde quente. Tudo em quietude até que o doutor Pamphilo Assumpção Datavênia, o causídico da Vila, venceu a embriaguez, colocou-se de pé e soltou o vozeirão:
- Quanto às mulheres...
Uma pausa solene e tensa tomou conta do boteco. Silêncio cheio de energia. Resultado do espanto causado por tanta habilidade retórica ou pela oscilação da figura magrela de Pamphilo lutando contra algumas doses a mais de uísque.
Ele olhou em volta, examinou cada um dos presentes e emendou:
- ... é preciso aceitar que só acreditam no inacreditável.
Deu-se um monumental silêncio respeitoso. Era um gênio.
Laurinho Telefone largou o copo sobre a mesa. Nezinho deteve o cigarro no ar, a cinza ameaçando cair no sanduíche de mortadela. Carlão Borracheiro não entendeu o que se passava, mas fez cara de quem estava entendendo. Todos aplaudiram.
Ao contrário do que alguns podem pensar, o espanto não decorria do aparente paradoxo da frase, nem da referência às mulheres, sendo que tudo que se diz sobre elas costuma gerar polêmica. O que intrigou a distinta clientela do boteco foi o início da frase, no qual aquele “quanto” parecia indicar que alguma coisa fora dita anteriormente e que agora seria afinal revelada. Que truque retórico seria aquele?
Vou me permitir uma pequena divagação, embora essa crônica, em tempos eletrônicos, deva ter apenas duas páginas ou umas 50 linhas, o que não permite divagações demasiadas. Mas é necessário. Ocorre que Pamphilo é conhecido não apenas como o advogado sem diploma – ou com diploma falsificado, há controvérsias – que defende causas justas ou injustas na Vila, mas também como um profundo sabedor das artes da retórica e das artimanhas das mulheres. Ou seja: o bicho ia pegar.
Nezinho bateu as cinzas do cigarro no chão. Cego Tião rosqueou o vidro de rolmops, velho hábito em momentos de nervosismo. E Laurinho provocou:
- Diga de lá, magistrado.
Havia naquele tratamento de magistrado alguma coisa que incomodou Pamphilo. Gostava de ironias, mas se chateava quando bordejavam suas virtudes jurídicas. O que exigiria outra divagação, essa sobre as suscetibilidades humanas, mesmo em homens inteligentes como o causídico da Vila, mas não vou me desviar.
- Você chega em casa e ela ataca: “Demorou demais. Onde esteve?” Você explica: encontrei um velho amigo na farmácia, o Nunes. Ficamos conversando, fomos tomar um café e perdi a noção do tempo. O Nunes é um grande papo.
E, olhando cada um dos habitantes do boteco, Pamphilo indagou – note-se que ele jamais pergunta. Ele indaga ou argui. Afinal, é um magistrado.
- Qual a reação da mulher?
A resposta da turma foi unânime:
- Não acreditou.
- Perfeito. E passou o dia azucrinando: onde andou? quem encontrou?
Pamphilo virou o resto do conhaque e seguiu:
- Agora, se o prezado disser que desconfiava ter sido abduzido em plena Praça Tiradentes, quando apareceu à sua frente um sujeito imenso, andando em pernas de pau e que mais tarde se descobriria ser um anão minúsculo. O gigante jogou em sua direção uma luz verde saída de uma lanterna. Foi só isso. Você não lembra o que aconteceu nas duas horas seguintes. Amnésia total.
Suspense. Pamphilo lançou de novo a mesma pergunta:
- Qual a reação dela?
- Acreditou! – gritaram todos.
Pamphilo bateu palmas:
- Acreditou e, considerada a luz verde, disse que o anão seria de Marte, onde os homenzinhos são verdes e abduzem tipos distraídos que atravessam praças.
Dito isso, vencido pelo cansaço e pelo conhaque, Pamphilo sentou-se, voltou ao mutismo que o dominara até então e nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Fazia sentido, pensaram todos, sem questionar se estavam acreditando no acreditável ou no inacreditável. O resumo foi feito por Laurinho:
- Elas é que são inacreditáveis.




quinta-feira, 5 de março de 2015

Escritor com suas mãos em silêncio.





Caricatura de Roberto Gomes por Jefferson Schnaider (d'après Olea)

Levo ao conhecimento de quem segue as postagens de minhas crônicas que, depois de dezoito anos na ativa e sem interrupção, deixo de colaborar com o jornal Gazeta do Povo. Mudanças editoriais, corte de gastos, permutas à vista, troca de favores, pressão de gente ansiosa por publicar naquele retângulo de jornal, algo assim. Publiquei na Gazeta quase 500 crônicas. Daria um livro de mil e quinhentas páginas, por aí.
A partir de agora, tiro férias do jornal impresso mas não deixo de publicar aqui no blog. As mãos voltarão a tagarelar. E a incomodar.
Há um consolo. Os leitores não precisarão mais comprar o suplemento que acompanhava minhas crônicas, chamado Caderno G. Aqui é grátis.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Um tango à distância





"He cometido el peor de los pecados que un hombre puede cometer.
No he sido feliz." (Jorge L. Borges)



Ele se chama Carlos e ela se chama Helena.
Conheceram-se há muitos anos, quando eram jovens, belos e, como todos os jovens, eternos. Ocorre que não se viam há...
- Muito tempo, sorriu ele.
- É bom nem pensar nisso, disse ela.
Riram os dois, fazendo contas que não revelaram um ao outro. Estavam na entrada do colégio à espera da saída dos alunos. Ele fora buscar o filho e, ela, a neta.
- É verdade, disse ela, já tenho neta.
- Incrível.
- E seu filho?
Como se precisasse se desculpar, ele explicou que casara muito tarde, talvez tarde demais, era um pai quase velhinho.
- Velhinho? Imagine! Você está muito bem.
- E você... perdão, continua linda.
Soou o primeiro sinal de saída de alunos.
- O primeiro sinal, disse Carlos, sem saber o que dizer.
Helena não pareceu ouvir, os olhos perdidos no final da rua, um sorriso nos lábios. Ele observou que ela parecia mais jovem e bonita. Perguntou:
- Está pensando no quê?
- Ah, desculpe. Eu...
- Estava muito longe daqui, comentou Carlos.
- É verdade. Lembrando de um baile.
- Foi longe, então. Já não existem bailes há muito tempo. Não aqueles.
- Você lembra do tango?
- Que tango?
- O tango que dançamos. Todos pararam para ver. Fomos aplaudidos. Não lembra?
Carlos não conseguiu evitar a gargalhada:
- Eu, tango? Sou o pior dançarino do mundo, quanto mais tango! Você foi com outro namorado nesse baile.
Helena balançou a cabeça:
- Nada disso. Lembro como se fosse hoje. A orquestra, a nossa turma, meu vestido novo, vermelho. E você metido num terno azul escuro.
- Não era eu. Eu não tinha terno.
- Não brinque. Veio até a mesa, me cumprimentou e me convidou para dançar. Naquele tempo era assim, lembra?
Foi quando Carlos lembrou. O terno do irmão. A mesa com refrigerantes e algumas flores. Quando se dirigiram para o salão ele disse que ela estava tão linda quanto aquelas flores, frase que lhe pareceu ridícula e da qual se arrependeu, envergonhado. Ela sorriu.
- Mas eu não sei dançar tango, Helena.
- Foi o que me disse naquele dia.
É verdade. Dissera: eu não sei dançar tango. Aliás, não sei dançar nada, sou um desastre, completou com convicção.
- Eu também disse que não sabia dançar tango.
Os dois riram.
- Foi o tango mais maravilhoso da minha vida – disse Helena. Jamais esqueci.
O segundo sinal soou, os dois aproximaram-se do portão. A primeira a chegar foi a neta de Helena, correndo. Mais atrás, arrastando uma mochila, o filho de Carlos.
Despediram-se. Helena atravessou a rua com a neta. Carlos acompanhou o filho pela calçada. Quando chegaram ao automóvel, o filho perguntou:
- Quem era aquela mulher, pai?
- Uma dançarina.
- Dançarina?
- De tango. A melhor que conheci.




domingo, 15 de fevereiro de 2015

O dia em que fundaram o PT








Que tempos eram aqueles?
Jamais saberemos. O ser humano imagina decifrar enigmas havidos há séculos, mas custa a entender o que viu com seus próprios olhos.
A explicação pode ser simples. O que vivemos é uma mescla de sentimentos e desejos e ideias e fantasias com uma pitadinha disso que se chama de realidade. E é rebelde a conceitos. Já fatos remotos podem ser depurados e pensados com clareza racional. Por essa razão imaginamos ser capazes de entender o passado.
Então, os tempos eram aqueles.
Ali na PUC/SP tínhamos aula numa saleta minúscula. Cursávamos uma coisa chamada pós-graduação em Filosofia da Educação. Vi pouca filosofia da educação ali e menos ainda quaisquer aventuras de pensamento. Recebíamos uma dieta de leituras de Marx e Gramsci, servidos com fervor religioso. Era possível discordar aqui ou ali, jamais questionar o texto em si. O sagrado, é sabido, não se contesta.
O professor era um tipo pequenino, frágil, voz quase inaudível, hesitante, apoiando a bunda na mesa, de onde não desgrudava, fazendo poucos movimentos com braços e mãos. Parecia faltar vida ao sujeito. Eu o observava com sentida piedade e julgava que dentro de sua cabeça deveriam existir cubos, retas, triângulos, todos muito bem organizados, com os quais esgrimia aquilo que chamava de dialética em busca do conhecimento histórico.
Pois num desses dias em que eu morria de tédio durante a aula – duas horas de relógio, ou seja, seis horas de duração – olhei para um colega sentado a meu lado e, sem qualquer sinal, saímos da sala. Não aguentávamos mais.
Fomos ao corredor e lá ficamos conversando. O assunto estava nos jornais. No dia anterior, 10/02/1980, no Colégio Sion, a algumas quadras de onde estávamos, fora fundado o Partido dos Trabalhadores. Havia certa euforia no ar. Meu colega me provocou:
- Acho uma besteira fundar um partido.
Eu conhecia o argumento. Partidos acabam entrando na lógica da política dita burguesa, na tal democracia formal etc., sendo mais perigosos do que se pensa. Uma arapuca.
Decidi, com alguma convicção, devolver a provocação:
- E você queria que eles fizessem o quê? A Revolução?
A Revolução, com inicial maiúscula como se usava na época, era um sólido bloco monolítico do qual não se duvidava. Sem ele, impossível pensar. Ficamos nisso. Já havíamos nos chateado o bastante na aula e deixamos para lá.
Fomos à cantina, fumamos um cigarro e uma hora depois voltamos para a aula seguinte.
Entrou porta adentro uma nova professora. Cabelos imensos, certa fúria e extravagância. Era mutante. A cada aula se metia numa fantasia diferente. Colocou livros sobre a mesa na qual repousara há pouco a bunda do professor e disparou:
- Tudo o que eu penso está comprometido politicamente. Sou engajada e estou aqui para fazer a cabeça de vocês! Defendam-se!
Eu e meu colega não conseguimos acreditar no que ouvíamos.
E talvez não tenhamos entendido até hoje. Não posso garantir. Esse meu colega sumiu do mapa e não guardei seu nome. O que é uma pena. Quem sabe chegou a entender o que se passara naquele dia. Poderia me ajudar trinta e cinco anos depois.